Além de ter a certeza de que iria brincar à vontade nas térmicas por vários dias seguidos, esta seria também a minha maior navegação até o momento. O planejamento começou com dois meses de antecedência e incluiu a instalação de um comutador de bancos de baterias e um FLARM (instrumento para detectar tráfego / proximidade de outros planadores, também equipados com este instrumento), gentilmente cedido pelo Fabio Moraes. O plano original era de voarmos até a Serra da Capivara, Piauí e pelo que se fala não existem muitas opções de pouso fora dos aeródromos. A instalação de uma seletora de bancos de baterias se mostrou um passo importante, tendo em vista a longa duração dos vôos e proporcionando a tranquilidade de que teria uma bateria cheia, caso precisasse.
Mais uma novidade para mim foi experimentar o Sinus no nível 105. Foi um vôo extremamente liso, com a camada de CUs por volta dos 8500 pés - próximo de Paracatú, a fumaça que se acumulava em baixo das núvens forçou a minha descida para 7500 pés. Completei a primeira perna planejada pousando no aeródromo de Botelho (SIQE) em Brasília, com 5h e 40min de vôo e tendo gasto 60 litros de AVGas. Parti com um amigo local para LEM na manhã seguinte.
Infelizmente, houve um problema mecânico com um dos Stemmes e este acabou ficando no chão por dois dias. Como para voar no Piauí uma das premissas era de que todos precisávamos estar com as aeronaves perfeitas para garantir que não haveria um pouso fora, o "campo gravitacional" do conforto de LEM acabou nos segurando pelo restante da semana.
Foram vários dias de vôos excelentes mesmo com a presença constante das núvens cirradas. Muitas vezes registrávamos térmicas com médias superiores a 4 m/s e nossos vôos duravam de quatro a seis horas. Tipicamente usavamos o motor durante quinze minutos para decolar e colocar uma altura inicial para depois passarmos para o vôo planado pelo restante do dia. Embora sempre opere no circuito de pouso no Clube Céu sem o uso do motor (este fica na marcha lenta e todo o circuito é feito usando somente os flaps e spoilers para freiar ou acelerar o avião), lá pude experimentar meus primeiros pousos com o motor desligado. Mais uma barreira psicológica quebrada!
Foram vários vôos de 250km ou mais no Sinus e no Ximango, enquanto os “irmãos grandes” voavam entre 500 e 800 km por dia! A profusão de geladeiras de isopor e bebidas geladas garantia o início da nossa confraternização ainda no entardecer no aeródromo, seguindo noite adentro durante nosso jantar no hotel.
No último dia da expedição, voamos todos de LEM para Formosa, próximo a Brasília. Começamos o vôo um pouco mais cedo do que o habitual, com uma condição fraca que nos fez acionar o motor do Sinus três vezes. Por volta do meio-dia, a condição finalmente "ligou" e pudemos voar 250 km "na vela" com muitos cúmulos espalhados pelo céu.
A volta para o Rio foi um exercício de paciência, devido a outra frente que lambia o litoral. Interrompi a viagem em Campo Belo no sul de Minas Gerais devido ao mal tempo em rota e no dia seguinte após checar as previsões menos que perfeitas para o litoral, decolei sob um céu de brigadeiro, mas preparado para uma nova escala. Foi possível seguir a rota com segurança até depois de Vassouras, onde o teto caía consideravelmente. Apesar da proximidade de casa, optei por encerrar o vôo pousando em uma pista de terra em Valença. O dia seguinte amanheceu com condições favoráveis e pude então completar meu vôo com tranquilidade.
O que dizer mais sobre esta viagem? Foi uma experiência inesquecível e enriquecedora. Certamente tentarei participar da próxima edição! Quem sabe não vamos à Serra da Capivara em 2012?
Links:
Vídeo do Sinus em LEM: http://www.youtube.com/watch?v=5o4tTSSGRF4
Planadores nos ceus de LEM 2011: http://www.youtube.com/watch?v=YISZ9S2SwEQ
Blog com fotos e experiências: http://motoplanadores.blogspot.com/















