Palestra com o biólogo Mário Moscatelli no Clube CEU marca o início de parceria com pilotos em defesa do meio ambiente
No dia 13 de setembro, pilotos do Clube CEU participaram da palestra ‘Realidade ambiental das águas da região metropolitana do Rio de Janeiro’, realizada na sede do Clube com o biólogo Mário Moscatelli. O evento apresentou o ‘Projeto Olho Verde’ e estabeleceu o início de uma parceria que pretende colaborar para o acompanhamento do processo de degradação do sistema fluvial e o meio ambiente das baixadas do Rio de Janeiro e cidades próximas.
Mestre em ecologia, o professor universitário afirma que a colaboração do clube é essencial, porque a região em que ele está sediado é a única que ainda conserva ecossistemas originais. “Se você quiser ter idéia de como o Rio era antigamente, venha para a Baixada de Jacarepaguá. O litoral primitivo era repleto de brejos, restingas e lagoas. Esse foi um dos principais motivos para a cidade ser chamada de maravilhosa”, conta. Para o biólogo, o Rio se tornou uma vítima da própria beleza.
Alguns processos de degradação já são quase irreversíveis, confessa Mário, devido à cultura de negligência da sociedade e autoridades com o meio ambiente “O brasileiro tem uma relação de amor e ódio com a sua terra. É um resquício da era do Pau-Brasil, de cultura de exploração que usa até acabar”. O biólogo aponta a educação como solução a longo prazo e lembra que em sociedades com níveis mais baixos de instrução, as pessoas têm mais dificuldade de perceber que a agressão ao meio ambiente é uma ação boomerangue: “Por isso, tantas enchentes, tantos desmoronamentos. E isso só tende a piorar com as mudanças climáticas. A ameaça é que aconteça exatamente aquilo que a gente acha que só vê em filmes”.
A bomba ambiental, como ele chama, tem data para explodir e a data-chave nessa história é 2015: “Se os grandes processos de degradação, como o despejo de esgoto e lixo na rede fluvial, não forem resolvidos nos próximos quatro anos, perderemos a guerra e teremos que aprender a viver para sempre com essa destruição”. Por isso, o apoio dos pilotos do Clube CEU vem em boa hora. “Temos que aproveitar esse período em que estão borbulhando investimentos”, frisa.
Mas a vida é dinâmica e, por enquanto, há muito para ser feito. O investimento financeiro na recuperação do meio ambiente é vital, certamente. “Mas afinal, o que o cidadão comum pode fazer?”, perguntou um dos pilotos. Mario destaca que não adianta o governo dizer que está investindo R$ 550 milhões e o esgoto continuar indo para dentro das lagoas. Mesmo com dinheiro, continua a se poluir as redes fluviais. É preciso acabar com a impunidade.
E é aí que entram os pilotos do Clube CEU. Eles terão um papel importante nessa luta pela recuperação do nosso meio ambiente. “Lá do alto, ninguém mente”, diz Mário. A visão aérea é fundamental porque fornece uma visão macro e permite a comprovação de que a degradação é sistêmica, e não um problema localizado. A grande contribuição que ele precisa para continuar obter sucesso com o seu projeto é justamente com as fotos aéreas, que mostram a extensão dos estragos causados pela poluição.
“Todos são movidos pela paixão de voar e a possibilidade de conciliar com um apoio efetivo ao Projeto Olho Verde e uma forma de nos engajarmos e contribuirmos para a nossa sociedade. Nossos vôos também passam a ser de observação e depois estas informações serão disponibilizas para o biólogo e ele poderá contar com aeronaves do Clube para os seus sobrevôos”, diz Edson Pimentel.
É nosso dever apoiar iniciativas tão importantes como a do Moscatelli.
















