Os heróis da vida real são aqueles personagens que não se deixam vencer pelos obstáculos que se interpõem no meio do caminho, chegando onde nenhum outro conseguiu anteriormente. O Brasil, além de ter entre seus filhos ilustres o pai da aviação, Santos Dumont, tem em João Ribeiro de Barros outro grande herói dos ares.
Nascido na Fazenda Irissanga, no município de Jaú, interior de São Paulo, e descendendo de uma das famílias mais tradicionais da região, ele foi o primeiro brasileiro a cruzar o Oceano Atlântico sem escalas a bordo de um hidroavião em 1927. Até essa data, os voos transoceânicos eram feitos com o auxílio de navios que serviam para que as aeronaves nele fizessem paradas. João achava que dessa forma os aviões eram inúteis e usou de todos os seus recursos, após negada a ajuda do governo brasileiro, para levar a cabo o seu empreendimento.
A paixão pela aviação foi despertada logo em sua infância. O seu pai, Sebastião Ribeiro de Barros, havia chamado à sua cidade o aviador Luiz Bergmann para que este divulgasse a obra inestimável de Santos Dumont.
Nosso herói chegou a cursar direito por dois anos na Faculdade do Largo de São Francisco, hoje USP, mas a paixão pela aviação falou mais alto e ele partiu para estudar engenharia mecânica nos Estados Unidos.
Após vender a sua herança aos irmãos, adquire um avião Savóia Marcheti batizado "Alcyone". Este mesmo avião havia sido usado pelo Conde Casagrande na tentativa frustrada de efetuar um voo direto Itália-Brasil. Porém, a aeronave se apresentou incapaz de tal proeza e a viagem acabou na cidade de Casablanca, na África.
De posse de seu avião, Ribeiro de Barros parte para Nova Iorque junto com o mecânico Vasco Cinquini para juntos trabalharem na restauração da máquina. Antes dessa partida, no entanto, um anuncio é publicado no jornal "O Estado de São Paulo" oferecendo oportunidade de trabalho a um navegador experiente e de nacionalidade brasileira. Quem acaba conquistando essa vaga é Newton Braga.
Em 18 de outubro de 1926, o avião, agora reformado e rebatizado de Jahú (em homenagem a sua cidade natal, de acordo com a grafia da época), decola de Gênova (Itália) com sua tripulação que tem como último integrante o segundo piloto Arthur Cunha.
Sabão caseiro, terra e água nos reservatórios de combustível e um pedaço de bronze colocado no fundo do cárter do motor traseiro, uma clara e evidente sabotagem a fim de impedir a empreitada, acaba por conduzir os tripulantes a um pouso forçado em Alicante. As autoridades espanholas, dizendo desconhecer o motivo do pouso, prendem todos os integrantes da tripulação. A liberação ocorre somente após a intervenção da Embaixada brasileira em Madri.
Após alguns outros percalços, como a traição por parte de Cunha, substituído posteriormente por João Negrão, o Jahú chega até Porto Praia, no arquipélago de Cabo Verde. Lá passam alguns meses trabalhando na recuperação da aeronave. Dormiam todos em uma precária lona à beira da praia. Ribeiro de Barros, durante essa temporada, acaba sendo acometido por quatro crises de Malária. Foi nesse período conturbado de sua aventura que o comandante recebeu a inspiradora carta de sua mãe, D. Margarida de Oliveira Barros: "Aviador Barros. Aplaudimos tua atitude. Não desmontes o aparelho. Providenciaremos continuação do reide (travessia longa a bordo de um avião), custe o que custar. Paralisação do reide será fracasso. Asas e avião representam Bandeira Brasileira..."
A nova decolagem se deu na manhã de 28 de abril de 1927. Após doze horas consecutivas de voo à velocidade de 190 KM/ h, este recorde seria batido somente dez anos mais tarde, o "pássaro vermelho" finalmente pousa em águas nossas, mais precisamente no arquipélago de Fernando de Noronha.
O povo brasileiro ficou feliz com a façanha de seu irmão, que elevou o nome de nossa nação, já que tal feito não havia sido concretizado nem mesmo por países mais avançados como França, Inglaterra e Espanha, que tinham uma espécie de rixa não declarada sobre a hegemonia dos ares. Ribeiro de Barros recebeu inúmeras medalhas e distinções por seu feito heróico e histórico.
Apenas vinte e dois dias após, o piloto norte-americano Charles Lindberg conseguiu cruzar o Oceano Atlântico, mas Ribeiro Barros e sua equipe foram os primeiros a concluir tal façanha e, o que é o mais fascinante nessa incrível história, sem apoio algum de nosso governo.
Fontes:
Wikipedia
Site da Câmara Municipal de Jaú
Site Gente da Nossa Terra
















