Hotel Portobello
Céu e mar e um lugar pra pousar, 
tudo o que um aviador pode sonhar

Revista

 
Por:  Juca

 

 

Dia desses meu amigo Marini, dono do mais bonito e equipado Skylane do Brasil, comentava sobre um hotel que visitara em Angra dos Reis. Fiquei curioso e ao mesmo tempo interessado em fazer uma matéria que me cobram freqüentemente.

  Liguei para o hotel, marquei com o Carlos (o dono), que marcou com a Regina (imprensa), que decidiu pelo dia, que choveu e eu não fui,  que marquei novamente, e voltei de Ubatuba, pois a serra estava fechada. Decidimos pelo feriado prolongado,  que prolongou a chuva, que me fez pedir desculpas e ficar com cara de paisagem. Numa ensolarada quarta-feira, o Marini me liga logo cedo, e decidido convida: vamos pra Angra?

  Decolamos do Campo de Marte em “Sampa”. Com proa de Paraty. O Hotel Porto Bello fica em Angra dos Reis, no través da Ilha Grande na Baía de Mangaratiba (RJ). As coordenadas estão no Rotaer e também no seu GPS “SDPA”, distante 100 quilômetros  do Rio e  400 de São Paulo. Não posso classificar este passeio de viagem, tampouco de trabalho, no mínimo de um vôo panorâmico. 


A recepção é cinematográfica

 

    Após transpormos a Serra de Ubatuba, até as gaivotas nos davam boas vindas. “Céu e mar e um lugar pra pousar, é tudo o que o aviador pode sonhar”. Se bem que depois de sobrevoarmos as ilhas paradisíacas de Angra descobrimos que existem mais sonhos entre o céu e a terra que nossa imaginação conhece. Após um rasante na Ilha do Pitanguy (eu acho que ele não estava lá) a baía do Hotel Portobello surgiu misteriosa.


Quem não localizar a pista, é cego

    Obviamente que a primeira coisa que um piloto procura é a pista, e assim foi, enquanto o Marini arredondava “o avião” e eu e o Felipe (filho do Marini) tirávamos as fotos. A disposição da pista é fenomenal, porque naquela região o vento se define mar/terra ou terra/mar, e nunca de través, e para facilitar o seu alinhamento os morros formam um vale que canaliza o vento. Dependendo do avião, a prudência recomenda uma aproximação lenta e um pouso mar/terra, pois os morros à frente não sugerem uma arremetida.

Desconsidere o vento, pois a pista é longa 900 x 30 (eu acho que tem mais de 1000) e o misto de areia e grama ajudam na frenagem. Se o vento soprar violentamente contra os morros, é possível uma aproximação terra/mar, bastando aquela famosa “base” apertada. Observar ainda uma rede de alta tensão que cruza a final da cabeceira 03 ( a turma do Hotel Portobello prometeu arredar a rede).

O lugar fascina, intriga, seduz, envolve, acolhe e dilata nossas acostumadas pupilas com o belo. A natureza parece contemplar-nos, e ao mesmo tempo o destoante ruído do nosso avião ecoa harmonioso (eu disse nosso avião? É do Marini).
 


Nos apartamentos uma decoração simples


    Pousamos com tranqüilidade. O Skylane é um típico avião de garimpo que exigiu míseros 300 metros, azar nosso que tivemos que taxiar até o estacionamento já asfaltado e equipado com uma bela cabana. No futuro o combustível estará disponível, se bem que eu acho besteira, pela própria proximidade das capitais. O hotel mantém escuta permanente na freqüência livre 123.45 , acionando um Land Rover que nos aguardava para o traslado até a sede do hotel; durante o trajeto, ao redor da pista notei um grande pasto cheio de bois e cavalos em meio a uma movimentada obra que pretende canalizar o rio para lançar ao mar os barcos dos aviadores que se dispuserem a comprar um terreno no futuro condomínio ao redor da pista. É isso mesmo, você constrói uma casa com hangar para o avião e ganha uma marina particular. Falar sobre as quadras de tênis de saibro, os campos de futebol, as churrasqueiras, a ponte de ferro sobre o canal eu não vou, mas sobre a marina eu vou, aliás, qualquer um vai e se quiser algum dos barcos do hotel te leva. 

Pode-se programar uma pescaria ou mesmo um pernoite em alto-mar a bordo de um “barquinho” como o “Lagoon 410”,  um catamarã de 41 pés com 4 cabines para 8 tripulantes, ou ainda um veleiro “Beneteau” de 50 pés pronto para recebê-lo acompanhado da Demi Moore,  além das 4 lanchas de 33 pés. O Marini entrou no catamarã e não queria mais sair. Logo quando chegamos na recepção notei que o estilo da construção lembrava a Polinésia (como se eu conhecesse a Polinésia). Imaginei algumas perguntas e muitas respostas: Você sabe como identificar um aviador num hotel?

Não precisa, em dois minutos ele conta!

Não se preocupe aviador, no Hotel Portobello isso não acontece, pois assim que seu avião ou helicóptero tocar a simpática pista todos saberão. Para os quarentões (incluindo o editor aqui), o seriado “Ilha da Fantasia” nos vem com clareza, com a vantagem de não sermos recebidos pelo idiota do Tatoo.

A ponte lembra um cartão postal

Imaginação, esta palavra pode sintetizar o que deve ter acontecido com o Carlos, um empresário pouco econômico quando se trata de dar conforto sem frescuras, requinte sem rebusco. Uma gentil e bem treinada equipe de 200 pessoas te recebe preocupada; eu só não entendi por que nos ofereceram tanta água! A recepção é gigantesca com boutique e lojinha de tralhas. Fomos apresentados à Regina e logo depois ao Carlos Jardim Borges, acompanhado de seu filho Miguel. Sentamos defronte a praia, ao lado de um dos três restaurantes, Escuna, Mezanino e Pérgula. O Carlos nos disse que numa de suas viagens pelo Caribe,  na República Dominicana, encantou-se com um resort parecido, daí a inspiração...

     Após o almoço no restaurante (que eu esqueci o nome), comecei a reparar nos detalhes, a comida era simples e saborosa, os doces “criminosos”, principalmente o de leite (não perguntei, mas acho que são produzidos lá mesmo, também, com tantas vacas no pasto!). Criaram um restaurante infantil, permitindo que você combine o que fazer à noite com a esposa sem “cochichos”. 

Não vou ficar escrevendo que nem bobo, que os 144 apartamentos e as 30 suítes têm: ar-condicionado, TV a cabo, cofre, telefone externo, mini-bar e secador de cabelo, prefiro dizer que todos são defronte para o mar, o mesmo mar que banha 4 quilômetros de praias limpas e coloridas pelas pranchas de windsurf, jet-ski, banana-boat, pedalinhos e muitos guardas-sol, ou seja,  mordomias e “futilidades” dignas de um “estrelado”. Piscinas no hotel e fora dele, as de fora naturais. O sistema de câmeras internas mantém a segurança, inclusive na pista, se bem que a “fazenda” de 2.700 hectares não tem vizinhos. Não sobrou tempo para conhecermos o “safári”, uma área de 30 hectares (300.000 m2) devidamente povoada por animais exóticos adaptados à nossa fauna.
 

    É possível caminhar a bordo de um jeep entre avestruzes, veados, emas, zebras, antílopes, cervos e os pássaros, então, nos dão a impressão que a nossa mata atlântica ainda existe. A Rio-Santos corta o santuário no quilômetro 47. Se você não tem avião ou helicóptero, o meu amigo comte. Clóvis da América Air (tel.: 11 6221-2123) te leva, e se você não resistir ao encanto do lugar, o show ficará por conta do Hotel Portobello.

    Quem sabe não faremos uma revoada brevemente, para lembrar o filme “Campo dos Sonhos”, o campo já temos e sonhar nós sabemos.


O avião do Carlos já foi do Pitanguy
 



O empresário Carlos Jardim Borges (esq.)
 ao lado do Marini

 
Hotel Portobello Resort & Safári
Tel.: (21) 2689-3000
www.hotelportobello.com.br
 

 

 

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