GT - Impressões ao Pilotar 
por: Francisco de Assis Camargo
fotos: Celso Junior
Revista  
Ele é muito leve, 220 quilos, já que sua estrutura é toda de alumínio aeronáutico revestido com velame de dacron e está equipado com um motor Rotax 582, de 65 hp, dois tempos, com lubrificação direta na gasolina (misturam-se 50 litros de avgas para cada 1 litro de óleo dois tempos). Pode atingir a velocidade de cruzeiro de 65 milhas (107 km/h) e um planeio de 12/1 , ou seja, se por ventura o confiável motor Rotax emburrar e romper relações com o piloto estando numa altura de 1.000 pés (330 metros) , ele flutuará por 12.000 pés ( 4.000 metros) em linha reta até atingir o nosso violento, mal administrado e poluído planeta.
 
Ele praticamente não estola (perde sustentação) quando atinge 35 milhas; ele simplesmente badala e treme mais que "vibrador de viúva". Em parafuso ele não entra e também não tem, já que os encaixes prevalecem. Ele sai do chão em 50 metros de pista e quando volta do passeio necessita de mais 50 para deixar o piloto e sua namorada (nunca a sogra) literalmente no chão. Tem-se a impressão de que a bunda vai raspar no solo. A cabine é espartana, dois bancos, dois manches palitos, manete de potência, instrumentos do motor, velocímetro e para os mais fricoteiros rádio e transponder. A hélice bipá de madeira, o radiador de óleo e o próprio motor ficam protegidos de eventuais pedras em pistas de terra por uma rede estrategicamente colocada atrás dos bancos, além das polainas que cobrem os pneus (não confundam essa rede protetora com um porta-jornais).

Essa aeronave é um "baita" treinador básico, onde o futuro aviador terá a oportunidade de trabalhar um pouso com vento de través e aproveitar-se do trem de pouso triciclo e atitudes idênticas às de um Boeing 777. A aproximação para o pouso deve ser feita com o nariz levemente picado (para frente) pois seu arrasto é muito grande. Outra novidade fica por conta da indumentária porque é obrigatório o uso de capacete, óculos, luvas e roupas adequadas para receber o vento frontalmente. Recomenda-se a utilização do capacete aberto acrescido de um óculos, já que no passado um piloto teve a viseira do capacete arrancada pelo vento e lançada na hélice, o que o obrigou afazer um pouso de emergência. Quase  que me esqueço de dizer que a capacidade do tanque de combustível é de 60 litros, o que garante três horas de pleno "frescor". As revisões dependem da responsabilidade do proprietário e o seguro é obrigatório. 

Além da mísera quantia de US$ 15.000, o futuro proprietário necessita de 10 horas de aulas práticas e um estudo teórico para obter o Certificado de Piloto Desportivo (CPD), isso se aprovado no descomplicado exame médico. 

Se vocês não gostaram da matéria, saibam que ainda não recebi o meu "cachê" que foi condicionado às vendas do GT... Comprem um.

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