Relíquia nos Céus do Rio de Janeiro
Por Cmte.
João Marcos Almeida
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Pouso na
Baía da Guanabara
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foto: David Rose |
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A aeronave é composta de uma tripulação de
nove pessoas, tendo como líder da missão o homem que leva em seu
sobrenome uma história da aviação mundial, o Comandante Iren Dornier
– Neto do famoso projetista de hidroaviões - Dr. Claude Dornier.
O Captain Iren, como é chamado, é o Idealizador do projeto
http://www.do-24.com
e tem como principal objetivo da missão a arrecadação de fundos para
UNICEF mundial.
Com a ajuda de
alguns patrocinadores tais como a companhia de aviação das Filipinas
South East Asian Air Lines, a empresa americana International
Aviation Consulting e da própria UNICEF foi possível ser dado o
pontapé inicial para o audacioso projeto.
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Foram gastos cinco milhões de dólares no projeto de
revitalização do Do-24. O hidroavião teve sua
motorização modificada perdendo seus clássicos motores
radiais e dando lugar a três poderosas turbo-hélices PT6
45A, além de sofrer algumas modificações importantes na
plataforma de navegação embarcada que visou atender às
necessidades de segurança e confiabilidade da missão.
Fabricado na Alemanha em 1938, o Dornier era usado para
resgates no mar. Estima-se que os DO-24 salvaram mais
de 11 mil vidas em resgastes marítimos. O exemplar que
está no Rio (único em funcionamento no mundo) serviu na
Espanha até 1970, quando foi recomprado pela fábrica e
modificado com motores turboélice, ganhando um trem de
pouso convencional. Ficou repousando num museu de
Stuttgart até ser comprado e restaurado, em 1999, pelo
empresário Iren Dornier.
O
veterano RP-C2403 saiu das Filipinas iniciando seu giro
pelo mundo e já passou por países como Omã, Tailândia,
Índia, Paquistão, Egito, Grécia, Itália, Áustria,
Alemanha, França, Inglaterra, Irlanda, Islândia, Canadá,
Estados Unidos, México, Guatemala, Panamá, Equador,
Peru, Chile e Argentina. Sua próxima parada será em
Fortaleza ou Natal e após prossegue para a Ilha de
Fernando de Noronha, quando então prosseguirá para a
travessia do Atlântico rumo à África. Talvez sua etapa
mais difícil até agora.
Hoje raros nos Céus, os hidroaviões Dornier fizeram
história na aviação Brasileira. Foi com um Dornier Wal
que a VARIG iniciou suas atividades, em 1927. Outro
modelo do mesmo fabricante que ficou famoso foi o DO-X,
o maior avião de seu tempo, que passou um período no
Rio, em 1931, pousando na Baía da Guanabara. |
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Saudando o Rio após o pouso /
foto: David Rose |
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A tripulação visitou o nosso clube CEU no dia 25
de Feveiro em um dia ensolarado e de muito calor, no
qual foram discutidos os detalhes da operação de pouso
na Baía da Guanabara e para a seção de fotos no Cristo
Redentor, Pão de Açúcar e praias do litoral carioca. A
equipe da “Mission Dream”, como é chamada, desfrutou de
nossas acomodações e ficaram maravilhados com o CEU,
disse o Captain Dornier: “ –
Adoraria envelhecer e
ficar em paz num lugar tão maravilhoso como este. Vocês
são pessoas maravilhosas e estão de parabéns pelo
belíssimo airclube.”
Três ultraleves foram escolhidos para participarem da
operação de fotografias e pouso na Baía da Guanabara,
que ocorreia no Domingo de Carnaval, mas infelizmente
devido a problemas técnicos no trêm de pouso da velha
ave a operação teve de ser suspensa.
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Após mais uma semana de preparativos e de muito
trabalho, fomos informados da nova data da
operação. Dia 05 de Março às 10:00h.
É chegado o grande dia, o
ceu é nublado, quente e a pressão em torno dos
1008 hpa; nada bom, pois tínhamos forte
possibilidade de chuva para o dia tão esperado.
O vento era norte, porém calmo e sem
turbulência. À postos e aviões guarnecidos,
decolaram do Clube CEU às 10:15 duas
aeronaves rumo ao Santos Dumond para o vôo de
fotografias: O P96S PU-LEO pilotado pelo Cmte.
João Marcos e seu co-piloto Osvaldo Claro Jr.
fotógrafo do website especializado em aviação
http://www.sentandoapua.com.br
e o FK-9 MK 4 PU-OAB com
o Cmte. Antônio Béjar e seu co-piloto o
fotógrafo da Revista ASAS Felipe Operti.
Ao atingir 1500 ft e já no través sul do Pão de
Açúcar, pudemos avistar o Dornier num vôo sobre
a Baía, talvez a uns cinco metros de altura
sobre água. Contactamos a torre do Rio,
repassamos todos os procedimentos de segurança e
após intenções declaradas, ingressamos na Boca
da Barra e nos deparamos com uma cena de filme
antigo; estranho, pois estávamos dentro do
filme, pois ele era colorido !
Arrepios controlados, fomos voar na ala do
DO-24 juntamente com um C-172, outro “chase
plane” que transportava o Fotógrafo David Rose
membro da “Mission Dream”. Após várias órbitas
sobre a Baía, finalmente a velha águia informara
que iria pousar. Nos posicionamos afim de
avitar seu poderoso vortex e assim o Dornier RP-C2403
toca na água da Baía da Guanabara às 10:40h,
exatamente no mesmo ponto que outrora
amerissavam os hidroaviões até o fim da década
de 30. Pouso curto, controlado, estávamos lá,
testemunhando uma cena histórica. Um flash back
onde uma aeroanave de sessenta e oito anos de
idade pousara num dos cenários mais bonitos do
planeta Terra, e ainda, acompanhados de dois
ultraleves ! |
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Pátio do Musal /
foto: João Marcos |
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Decolagem no Rio - São José dos Campos /
foto: David Rose |
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fly by sobre o Dornier
/ foto: James Eagle |
decolando
na Baía/ foto: Osvaldo Claro Jr |
Pousando na Baía/ foto: Osvaldo Claro Jr |
Numa coordenação impecável proporcionada pela torre do
Santos Dumond, na qual seu controlador conduzia nossa
operação de maneira calma, austera na qual nossos
ultraleves foram devidamente orientados e principalmente
tratados operacionalmente como deveria ser em todo e
qualquer cenário aéreo, pois pudemos realizar passagens
sobre o Dornier na água, sobrevoamos o aeroporto sobre
diversos ângulos e posteriormente pudemos pousar no
aeroporto da cidade maravilhosa afim de nos recompormos
da euforia daquele momento histórico.
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Após trinta minutos de solo, notificação feita,
novamente briefing realizado nos mímos detalhes,
decolamos às 11:40 para uma nova seção de fotos
mas desta vez com o Dornier decolando da água.
Entramos na ala do anfíbio como patos selvagens
recém nascidos tentando seguir a mãe e confesso
que a visão da decolagem da água de uma aeronave
daquele tamanho ficará para sempre gravada em
nossas retinas, pois foi uma das cenas mais
maravilhosas de nossas vidas. Suas três
turbinas PT-6 rugindo e deixando uma esteira
que mais parecia uma lancha de competição
gigantesca, o DO-24 deixa a água docilmente e
ruma firme à Ilha Rasa num vôo majestoso,
clássico e de uma plástica inigualável. Muitas
fotos e tentando acompanhar o velho pássaro,
rumamos ao Cristo Redentor e ascendemos para
3.000 ft e ficamos, as três, ou seria as quatro,
ou as cinco, já nem sabemos mais, aeronaves em
órbita no Cristo para mais uma seção de fotos,
pois ainda haviam helicópteros e o nosso belo
PR-ANA, o dirigível da Goodyear que veio para
abrilhantar ainda mais o espetáculo.
Separação visual mantida todo o tempo, nenhuma
turbulência (incrível !!), pudemos realizar mais
um vôo onde gerações diferentes de aeroanaves
faziam um balé majestoso no ar. O Corcovado
estava cheio de visitantes e os flashes não
paravam de nos “clicar” e com certeza para
àqueles que pagaram a entrada para desfrutarem
de uma bela vista da Cidade Maravilhosa, ainda
tiveram um show totalmente à parte ! |
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Orbitando no Cristo /
foto: David Rose |
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Enquanto nossos fotógrafos sugeriam os melhores
ângulos, toda a seção foi realizada de forma quase que
simétrica e sem nenhum conflito.
Após o Cristo seguimos para o sobrevôo das praias e mais
um show para àqueles que estavam na orla naquele dia de
muito calor, pois puderam assistir ao sobrevôo de uma
grande aeronave que se deliciava em seu habitat
natural. Sobrevôo das ilhas Cagarras, Tijucas e
través sul do aeródromo de Jacarepaguá, retorno à Baía
da Guanabara, passagen baixa (muito baixa) no Santos
Dumond e finalmente o velho pássaro retornou a base área
dos Afonsos para descansar após um vôo de quase três
horas.
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“- Ficamos
felizes e emocionados com o resultado,
colaboração e entusiasmo de todos vocês”
Disse o Captain Iren Dornier ao telefone logo
após seu pouso. Ele ficou impressionado com os
nossos ultraleves e com o espírito de
colaboração e de todos os envolvidos.
Refeitos do maravilhoso vôo pudemos fazer nosso
de-briefing e avaliar a nossa operação que sem
dúvida nenhuma foi um sucesso ! |
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