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Com a ajuda de alguns patrocinadores tais como a companhia de
aviação das Filipinas South East Asian Air Lines, a empresa
americana International Aviation Consulting e da própria UNICEF
foi possível ser dado o pontapé inicial para o audacioso
projeto.
Foram gastos cinco milhões de dólares no projeto de
revitalização do Do-24. O hidroavião teve sua motorização
modificada perdendo seus clássicos motores radiais e dando lugar
a três poderosas turbo-hélices PT6 45A, além de sofrer algumas
modificações importantes na plataforma de navegação embarcada
que visou atender às necessidades de segurança e confiabilidade
da missão.
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Fabricado na Alemanha em 1938, o Dornier era usado para
resgates no mar. Estima-se que os DO-24 salvaram mais
de 11 mil vidas em resgastes marítimos. O exemplar que
está no Rio (único em funcionamento no mundo) serviu na
Espanha até 1970, quando foi recomprado pela fábrica e
modificado com motores turboélice, ganhando um trem de
pouso convencional. Ficou repousando num museu de
Stuttgart até ser comprado e restaurado, em 1999, pelo
empresário Iren Dornier.
O
veterano RP-C2403 saiu das Filipinas iniciando seu giro
pelo mundo e já passou por países como Omã, Tailândia,
Índia, Paquistão, Egito, Grécia, Itália, Áustria,
Alemanha, França, Inglaterra, Irlanda, Islândia, Canadá,
Estados Unidos, México, Guatemala, Panamá, Equador,
Peru, Chile e Argentina. Sua próxima parada será em
Fortaleza ou Natal e após prossegue para a Ilha de
Fernando de Noronha, quando então prosseguirá para a
travessia do Atlântico rumo à África. Talvez sua etapa
mais difícil até agora.
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Saudando o Rio após o pouso /
foto: David Rose |
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Hoje raros nos Céus, os hidroaviões Dornier fizeram
história na aviação Brasileira. Foi com um Dornier Wal
que a VARIG iniciou suas atividades, em 1927. Outro
modelo do mesmo fabricante que ficou famoso foi o DO-X,
o maior avião de seu tempo, que passou um período no
Rio, em 1931, pousando na Baía da Guanabara.
A
tripulação visitou o nosso clube CEU no dia 25 de
Feveiro em um dia ensolarado e de muito calor, no qual
foram discutidos os detalhes da operação de pouso na
Baía da Guanabara e para a seção de fotos no Cristo
Redentor, Pão de Açúcar e praias do litoral carioca. A
equipe da “Mission Dream”, como é chamada, desfrutou de
nossas acomodações e ficaram maravilhados com o CEU,
disse o Captain Dornier: “ –
Adoraria envelhecer e
ficar em paz num lugar tão maravilhoso como este. Vocês
são pessoas maravilhosas e estão de parabéns pelo
belíssimo airclube.”
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Três ultraleves foram escolhidos para
participarem da operação de fotografias e pouso
na Baía da Guanabara, que ocorreia no Domingo de
Carnaval, mas infelizmente devido a problemas
técnicos no trêm de pouso da velha ave a
operação teve de ser suspensa.
Após mais uma semana de preparativos e de muito
trabalho, fomos informados da nova data da
operação. Dia 05 de Março às 10:00h.
É chegado o grande dia, o
ceu é nublado, quente e a pressão em torno dos
1008 hpa; nada bom, pois tínhamos forte
possibilidade de chuva para o dia tão esperado.
O vento era norte, porém calmo e sem
turbulência. À postos e aviões guarnecidos,
decolaram do Clube CEU às 10:15 duas
aeronaves rumo ao Santos Dumond para o vôo de
fotografias: O P96S PU-LEO pilotado pelo Cmte.
João Marcos e seu co-piloto Osvaldo Claro Jr.
fotógrafo do website especializado em aviação
http://www.sentandoapua.com.br
e o FK-9 MK 4 PU-OAB com o Cmte. Antônio Béjar
e seu co-piloto o fotógrafo da Revista ASAS
Felipe Operti. |
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Pátio do Musal /
foto: João Marcos |
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Decolagem no Rio - São José dos Campos
/
foto: David Rose |
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Ao
atingir 1500 ft e já no través sul do Pão de Açúcar,
pudemos avistar o Dornier num vôo sobre a Baía, talvez a
uns cinco metros de altura sobre água. Contactamos a
torre do Rio, repassamos todos os procedimentos de
segurança e após intenções declaradas, ingressamos na
Boca da Barra e nos deparamos com uma cena de filme
antigo; estranho, pois estávamos dentro do filme, pois
ele era colorido !
Arrepios controlados, fomos voar na ala do DO-24
juntamente com um C-172, outro “chase plane” que
transportava o Fotógrafo David Rose membro da “Mission
Dream”. Após várias órbitas sobre a Baía, finalmente a
velha águia informara que iria pousar. Nos
posicionamos afim de avitar seu poderoso vortex e assim
o Dornier RP-C2403 toca na água da Baía da Guanabara às
10:40h, exatamente no mesmo ponto que outrora
amerissavam os hidroaviões até o fim da década de 30.
Pouso curto, controlado, estávamos lá, testemunhando uma
cena histórica. Um flash back onde uma aeroanave de
sessenta e oito anos de idade pousara num dos cenários
mais bonitos do planeta Terra, e ainda, acompanhados de
dois ultraleves !
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O pouso do Dornier na Baía
da Guanabara foi planejado e coordenado nos
mínimos detalhes através do Sr. João Pedrosa que
é o Presidente da Sociedade Náutica Brasileira (http://www.expomar-rio.com.br)
e também do Movimento Asas da Paz. Este pouso
consolida a continuidade de um processo que tem
por objetivo a homologação da hidropista do
Santos Dumond e a reativação da atividade de
hidroaviação na Baía da Guanabara.
Numa coordenação impecável proporcionada pela
torre do Santos Dumond, na qual seu controlador
conduzia nossa operação de maneira calma,
austera na qual nossos ultraleves foram
devidamente orientados e principalmente tratados
operacionalmente como deveria ser em todo e
qualquer cenário aéreo, pois pudemos realizar
passagens sobre o Dornier na água, sobrevoamos o
aeroporto sobre diversos ângulos e
posteriormente pudemos pousar no aeroporto da
cidade maravilhosa afim de nos recompormos da
euforia daquele momento histórico. |
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fly by sobre o Dornier
/ foto: James Eagle |
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Após trinta
minutos de solo, notificação feita, novamente briefing
realizado nos mímos detalhes, decolamos às 11:40 para uma nova
seção de fotos mas desta vez com o Dornier decolando da água.
Entramos na ala do anfíbio como patos selvagens recém nascidos
tentando seguir a mãe e confesso que a visão da decolagem da
água de uma aeronave daquele tamanho ficará para sempre gravada
em nossas retinas, pois foi uma das cenas mais maravilhosas de
nossas vidas. Suas três turbinas PT-6 rugindo e deixando uma
esteira que mais parecia uma lancha de competição gigantesca, o
DO-24 deixa a água docilmente e ruma firme à Ilha Rasa num vôo
majestoso, clássico e de uma plástica inigualável. Muitas fotos
e tentando acompanhar o velho pássaro, rumamos ao Cristo
Redentor e ascendemos para 3.000 ft e ficamos, as três, ou seria
as quatro, ou as cinco, já nem sabemos mais, aeronaves em órbita
no Cristo para mais uma seção de fotos, pois ainda haviam
helicópteros e o nosso belo PR-ANA, o dirigível da Goodyear que
veio para abrilhantar ainda mais o espetáculo.
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fly by sobre o Dornier
/ foto: James Eagle |
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decolando
na Baía/
foto: Osvaldo Claro Jr |
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Pousando na Baía
/ foto: Osvaldo Claro Jr |
Separação
visual mantida todo o tempo, nenhuma turbulência (incrível !!),
pudemos realizar mais um vôo onde gerações diferentes de
aeroanaves faziam um balé majestoso no ar. O Corcovado estava
cheio de visitantes e os flashes não paravam de nos “clicar” e
com certeza para àqueles que pagaram a entrada para desfrutarem
de uma bela vista da Cidade Maravilhosa, ainda tiveram um show
totalmente à parte !
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Enquanto nossos fotógrafos sugeriam os melhores
ângulos, toda a seção foi realizada de forma quase que
simétrica e sem nenhum conflito.
Após o Cristo seguimos para o sobrevôo das praias e mais
um show para àqueles que estavam na orla naquele dia de
muito calor, pois puderam assistir ao sobrevôo de uma
grande aeronave que se deliciava em seu habitat
natural. Sobrevôo das ilhas Cagarras, Tijucas e
través sul do aeródromo de Jacarepaguá, retorno à Baía
da Guanabara, passagen baixa (muito baixa) no Santos
Dumond e finalmente o velho pássaro retornou a base área
dos Afonsos para descansar após um vôo de quase três
horas.
“- Ficamos felizes
e emocionados com o resultado, colaboração e entusiasmo
de todos vocês” Disse o Captain Iren Dornier
ao telefone logo após seu pouso. Ele ficou
impressionado com os nossos ultraleves e com o espírito
de colaboração e de todos os envolvidos.
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Orbitando no Cristo /
foto: David Rose |
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Refeitos do
maravilhoso vôo pudemos fazer nosso de-briefing e avaliar a
nossa operação que sem dúvida nenhuma foi um sucesso !
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Sobrevôo das praias
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foto: David Rose |
Deixamos aqui registrado os nossos agradecimentos a turma de
controladores da Torre do Rio de Janeiro, ao pessoal da
Capitania dos Portos, ao Cel. Delamora (Infraero SDU), ao
Sr. João Pedrosa (Presidente da Sociedade Náutica
Brasileira), aos fotógrafos Osvaldo Claro e Felipe Operti
que bravamente não marearam durante nosso vôo, ao Ivan
Roberto chefe da Divisão de Comunicação Social do MUSAL e ao
amigo Marcos Sarube que conduziu o DO-24 como 2P durante a
segunda fase do vôo, colaborando com sua fraseologia em
português durante as fases “críticas” do vôo.
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Na foto ao lado "passado e presente" - reprodução
arquivo do Musal - Osvaldo Claro Jr.
Veja
as fotos desta matéria em slide-show,
clicando aqui
(requer adobe acrobat reader). |
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