Projeto Brasil das Águas termina primeira etapa da Região Sul
(Boletim Projeto Brasil das Águas - jan/04)
 

Recepçaõ no Aeroclube do Paraná
Foto: Margi Moss

     Decolando mais uma vez do Clube CEU, agora com destino a Curitiba, tivemos uma decisão difícil – ir pelo litoral e arriscar ficar bloqueado pelo mau tempo que costuma pairar acima de Paranaguá, ou seguir pelo interior driblando os CBs. Optamos pela segunda rota, parando como sempre no eterno Amarais para abastecer com a BR Aviation – uma parada rápida e eficiente onde, geralmente, dá para almoçar também.
Apesar da previsão da chegada em Curitiba naquele dia ser negativa, seguimos em frente com Ponta Grossa como alternativa... Porém, o céu foi nosso aliado: Curitiba estava em pleno sol, enquanto um enorme CB desabava sobre Ponta Grossa. Três horas de vôo até Campinas, e um pouco menos até Curitiba. Beleza! No Aeroclube do Paraná, em Bacacheri, o Max inspirou muita curiosidade: foi cercado, todos querendo tirar fotos ao seu lado.
Voando a oeste de Curitiba, seguimos toda a extensão do poderoso Rio Iguaçu, que passa por várias represas. Na primeira, da Foz do Areia, ficamos surpresos com a cor verde da água e o pH de 10, o que equivale ao leite de magnésia, três pontos mais alcalina que a água pura. É o teor mais alto de pH que encontramos até agora em toda a pesquisa. Mas, seguindo a oeste, como o Tietê, as águas do Iguaçu vão melhorando aos poucos até despencar pelas Cataratas do Iguaçu e encontrar com o rio Paraná. No Paraná e em Santa Catarina, diferente dos rios sobrevoados nas outras campanhas, passamos por muitos que descem vales profundos e gargantas. O encontro dos rios Canoas e Pelotas, por exemplo, ainda é um espetáculo, embora as águas agora estejam elevadas por mais uma barragem. Ficamos tentando imaginar a beleza do lugar quando ainda eram “rios vivos”.   
As Cataratas do Iguaçu (PR)
Foto: Margi Moss

Canais de irrigação recém preparados num arrozal (RS) / Foto: Margi Mos
 
No Rio Grande do Sul, bem mais plano, o fenômeno era outro. Rios enfeitados com enormes bancos de areia, às vezes um espetáculo lindo, outras vezes nem tanto, devido à turbidez marrom da água. Os rios, já baixos por falta de chuva, também são prejudicados pela intensidade da irrigação dos arrozais, que exigem o bombeamento de milhões de litros de água, deixando os leitos extremamente rasos. Mas vistos de cima, os canais de irrigação formam intricados desenhos nos campos verdes, inspirando dezenas de fotografias.
 

Houve reencontros surpreendentes (com os pilotos do Aeroclube de Santa Rosa, conhecidos num evento da ABUL no ano passado, no clube CEU), descobertas intrigantes (o escondido Salto do Yacumã no Rio Uruguai (RS) e uma pequena estrada de terra e uma ponte que vimos na fronteira com Argentina – voltaremos de carro um dia!) e momentos de tensão (o motor do Talha-marzinho passou uma tarde inteira engasgando – ainda bem que temos sempre a opção de pousar em terra ou em água, porque no Rio Grande do Sul, cada fazendinha tem sua própria barragem!). Alexandre correu atrás do avião no Land Rover, e nem todos os dias chegou atrasado! Coletamos 64 amostras, e desta vez, não bebi nenhuma.
 
 

 
Sobrevôo matinal das serras santacatarinenses Foto: Margi Moss Tarde colorida no Aeroclube do Rio Grande do Sul
Foto: Margi Moss

 
Triste foi perceber a situação da aviação geral no interior do país: os terminais dos aeroportos municipais "às moscas". Filas de hangares vazios. Aeroclubes fechados. Há alguns anos, por exemplo, havia 40 aviões baseados em Chapecó, SC. Hoje, são apenas seis. O Brasil precisa da aviação: ela sempre foi um elo importante unindo as pequenas cidades deste imenso país. Atualmente, uns poucos pilotos lutam para seguir sua paixão de voar, apesar da batalha enorme que enfrentam para manter suas aeronaves no ar.

 
Em Porto Alegre, é sempre uma inspiração visitar o Aeroclube do Rio Grande do Sul: um mundo à parte, um berço de tranqüilidade movida à aviação. Como nós, o Talha-marzinho foi muito bem recebido, e no dia seguinte, numa pequena brecha entre chuvas, Gérard fez o traslado até Salgado Filho. No início de fevereiro, o projeto continua, voltando ao Rio pelo litoral Sul. Enquanto isso, o Max fica aos cuidados da Aeromot, ao ladinho do PT-ZAM, o Ximango mundo-voltista.


Veja o diário de bordo completo e mais fotos nos sites www.brasildasaguas.com.br  ou www.extremoss.com.br.


O projeto Brasil das Águas conta com o patrocínio máster da PETROBRAS, fornecedora exclusiva do combustível, o co-patrocínio da Embratel e tem parceria com a Agência Nacional de Águas, a Companhia Vale do Rio Doce, a Chubb Seguros e a Rede Globo.


 

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