Verde e azul no extremo oeste do Brasil
(Projeto Brasil
das Águas - outubro /2004)
Por-do-sol no Rio Negro-AM
Foto: Margi Moss |
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Recentemente, terminamos mais uma etapa no Norte, precisamente no Acre e no oeste do Amazonas. Apesar de chegar no Acre no fim da época seca e de presenciar ainda a densa fumaça provocada pelas queimadas, uma série de tempestades de chuva limparam o ar. Testemunhamos assim o papel fundamental que a floresta tem na “reciclagem” das águas. Após a passagem da chuva, as árvores logo começam a devolver a umidade à atmosfera, exalando neblina, que, à distância, parece até ser fumaça. È lindo de ver. Obviamente, o mesmo não ocorre sobre as pastagens e muito menos vai acontecer sobre os futuros campos de soja. |
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Tanto no oeste do Acre como no oeste do Amazonas, onde as matas continuam quase intactas, vivemos horas de vôo de pura magia acima do verde cortado apenas pelas águas. Rios e lagos belíssimos, de águas negras e transparentes, onde pulavam botos cor-de-rosa. Rios barrentos passando pelas matas onde casais de coloridas araras se destacavam sobre o verde. E, quase sempre que pensávamos estar num lugar muito, muito remoto, de repente víamos algum morador numa canoazinha subindo ou descendo algum rio sinuoso. E bota sinuoso nisso! Os rios se desdobram milhares de vezes ao atravessar a vasta planície característica da bacia do Amazonas. Por exemplo, para viajar entre Tefé e Caruari, um barco percorre 850 km pelo Solimões e pelo Juruá. Por avião, é um terço dessa distância!
O extremo oeste do Brasil fica escondido dentro do tapete da mata no Parque Nacional Serra do Divisor (AC). Sem GPS, é impossível saber se você está no Brasil ou no Peru. Sobrevoamos o local sem marcação (pelo menos que se possa ver do ar), e seguimos para curtir o visual das serras ali próximas, uma raridade na imensidade plana. Por sinal, a Ponta do Seixas, o extremo leste do Brasil, assim como o extremo oeste, é localizado entre as latitudes 7 e 8°S, a cerca de 4.350 km de distância na Paraíba. |
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DC3 equatoriano abandonado em Tabatinga.
Foto: Margi Moss |
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Visita ao morador de um flutuante.
Foto: Margi Moss |
O movimentado porto de Tefé- AM.
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Tudo que diz respeito à Amazônia exige superlativos. A cidade de Tabatinga, na fronteira tríplice com Peru e Colômbia, fica a apenas 80 metros acima do nível do mar. É aqui que o Rio Marañon se transforma no Rio Solimões e segue rumo ao Atlântico ainda distante de uns tortuosos 4.000 km. Uma razão de descida de 80 metros em 4,000 km – ou seja, uma média de 2 cm por quilômetro! Um bom contraste, se compararmos com a nascente deste rio, que surge a 5.500 metros de altitude nos Andes peruanos...
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Alunos no Lago do Copaco-AM.
Foto: Margi Moss |
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A Amazônia cobre mais do que a metade do país, e representa muito mais do que isso em termos de recursos hídricos. O Rio Amazonas leva para o Atlântico um quinto de todas as águas doces do mundo despejadas em mares. Estamos tendo uma oportunidade única de conhecer os rincões mais distantes desse um mundo à parte tão especial. Um mundo de águas que, ao final das análises do projeto, esperamos constatar que são, na maior parte, ainda puras. |
| Na segunda semana de novembro, voltaremos a Manaus, onde deixamos o Talha-mar descansando em um hangar. Nesta próxima etapa, vamos terminar as últimas coletas amazônicas, em Roraima e no noroeste de Amazonas, próximo a São Gabriel da Cachoeira e o Pico da Neblina. |
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Pôr-do-sol no Rio Solimões, no porto de Tabatinga.
Foto: Margi Moss |
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Chuva no extremo oeste do Brasil .
Foto: Margi Moss |
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Diário de bordo e mais fotos no site www.brasildasaguas.com.br.
O projeto Brasil das Águas conta com o patrocínio máster da PETROBRAS, fornecedora exclusiva do combustível, o co-patrocínio da Embratel e tem parceria com a Agência Nacional de Águas, a Companhia Vale do Rio Doce, a Chubb Seguros e a Rede Globo. |
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