Viagem ao Começo do Brasil
(Projeto Brasil das Águas - outubro /2004)
 

Aguás transparentes do rio Tapajós
Foto: Margi Moss

    Nosso objetivo na oitava campanha do projeto Brasil das Águas era alcançar o Oiapoque, mas começamos com um desvio para conhecer a nascente do Rio Araguaia, perto da cidade de Mineiros, GO. A água cristalina brota na sombra de uma chapada numa região completamente devastada há anos.

Do nada, numa paisagem desolada, sai borbulhando da areia clara e, gargalhando, forma um pequeno riacho que eventualmente se transforma no magnífico Rio Araguaia. Recentemente, graças a um trabalho da polícia ambiental do estado, foi fechado o livre acesso do gado ao local e a vegetação nas redondezas começou a se recuperar.

Seguindo rumo ao norte, a caminho de Itaituba no sul do Pará, passamos por Sinop, uma região que pode ser considerada região ex-campeã brasileira de queimadas. A julgar pela fumaça densa na região, continua treinando na modalidade, um esporte que, a cada dia, ganha novos adeptos no norte do país. Apesar de ter sobrevoado muitos garimpos na região de Novo Progresso, ao sul de Itaituba, foi uma boa surpresa deparar com as águas azuis e transparentes do rio Tapajós. Rio acima, em frente a Santarém, essas águas tem um espetacular encontro com as águas barrentas do Amazonas.
 
 

De Santarém, conseguimos voar em todas as direções coletando água de rios muito diferentes, desde o Tombetas, o Paru e o Jarí, até a foz do Xingu e rio acima pelo Amazonas. Às vezes, sobrevoávamos a floresta intacta: de vez em quando, o colorido das asas vermelhas e azuis das araras cruzavam o verde. E, nas águas negras de certos rios, víamos emocionados as famílias de botos cor-de-rosa que brincavam.    
Talha-mar na praia do Aracuri, perto de Santarém.
Foto: Margi Moss
 
No Amapá, chegamos a dois lugares que há muito queria conhecer. Primeiro, um cabo redondo, meio sem graça, entre a foz do Rio Caciporé e o Atlântico: o Cabo Orange, o extremo norte da costa brasileira. Segundo, a cidadezinha de Oiapoque, descrita por seus habitantes como “O começo do Brasil”. Do outro lado do rio que forma a fronteira está a Guiana Francesa. Sem mesmo precisar de passaporte, pegamos uma voadeira e fomos almoçar em Saint Georges de l'Oiapock. Sensação estranha, sair do Brasil de barquinho para ir almoçar na França!
 

Chez Modestine, o restaurante do outro lado do Oiapoque  
Foto: Margi Moss
Após uma breve parada em Macapá, capital do Amapá e localizada bem na Linha do Equador, seguimos para a ilha Mexiana, encravada no imenso delta do Rio Amazonas e logo ao norte da ilha de Marajó. Até que enfim... um dia inteiro de descanso – o primeiro dessa campanha – no Marajá Park Resort, num ambiente bem amazônico ao som de tucanos, araras, papagaios e em companhia de capivaras, sucuris e muitos pirarucus.


Em Belém, cidade que está cada vez mais bonita graças a um excelente trabalho de recuperação de seu patrimônio histórico, fomos recebidos com muita festa no Aeroclube do Pará, um dos mais ativos do país. Nenhum lugar melhor para se mergulhar no ambiente 100% amazônico que o mercado Ver-o-Peso – a maior feira livre da América Latina. Um show para os sentidos - cores, sons, cheiros e sabores, todos exóticos. Foi nossa despedida, antes da longa viagem de volta ao Rio.


Cabo Orange, extremo norte da costa brasileira
Foto: Margi Moss
 
 
E agora, prontos p/ uma nova etapa mais uma vez estamos sofrendo atraso na partida devido a uma frente fria. Mas assim que tiver uma brecha, decolamos novamente para o Norte, desta vez na direção oposta à foz do Amazonas. Vamos testar as águas do Acre.
 



Os amigos do Aeroclube do Pará / Foto: Margi Moss

 
Diário de bordo e mais fotos no site www.brasildasaguas.com.br .

O projeto Brasil das Águas conta com o patrocínio máster da PETROBRAS, fornecedora exclusiva do combustível, o co-patrocínio da Embratel e tem parceria com a Agência Nacional de Águas, a Companhia Vale do Rio Doce, a Chubb Seguros e a Rede Globo.


 

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