Gasolina Podium ? Porque Não !   jan /2004

CMT Paulo Lapenda 
Piloto do Clube CEU

 

Embora venha utilizando a 100 LL em um Rotax 914 T- 115 hp, sem problemas há cerca de sete anos, seja por não valer a pena em custo (no Rio a diferença de preço entre a Podium vendida no posto e a gasolina fornecida o Aeroporto é de apenas R$0,50), facilidade de aquisição e conforto, forma de pagamento ou procedimento operacional, não utilizo nem penso em nele utilizar gasolinas automotivas com adição de álcool.
 
Apesar disto sou um incentivador de que seja feito um estudo científico com bases acadêmicas nas conseqüências para esses motores, principalmente os da família Rotax, da utilização contínua ou alternada de gasolinas automotivas contendo etanol e que vem sendo utilizadas Brasil afora como alternativa a de aviação, inclusive em aeronaves homologadas.

Quem sabe se com pequenas adaptações, substituição de materiais e
observando-se certas condições de procedimentos de manutenção a tão bem falada PODIUM ou mesmo a Premium ou a Comum funcione como querem alguns?

Para as nossas condições médias atmosféricas e de vôo, além das características de construção das nossas aeronaves, pode até dar certo, preenchendo a lacuna deixada pela inviabilidade comercial da gasolina automotiva de alta octanagem sem álcool , recentemente testada por nós e que se revelou um sucesso na alimentação dos nossos motores mas infelizmente, um péssimo negocio para as Distribuidoras - sua logística de distribuição é simplesmente impossível de ser efetuada a não ser triplicando o custo final -.

Quem sabe estas gasolinas com álcool, serão mais apetitosas em termos
logístico comerciais para as distribuidoras que a inviável sem álcool ? Talvez isto as deixe mais dispostas para investir em pesquisas.

E porque não outros combustíveis? Por isso nossa aviação é experimental, para contribuir para o futuro com novas técnicas e emprego de novas tecnologias.

Quem sabe esta pesquisa não encoraje o andamento paralelo de outra ainda mais importante - desenvolver no Brasil um combustível limpo, bio degradável e que substitua a 100LL – a exemplo do Aviation Grade Ethanol (AGE 85) pesquisado nos USA ( http://www.engineering.sdstate.edu/~ethanol/ ), utilizável em qualquer motor a pistão e que abrange a totalidade da aviação, homologada e experimental (inclui ultraleves). Mistura de 85% etanol com biodiesel e hidrocarbonetos leves. O álcool é extraído do milho, mas álcool é álcool, não importa como é produzido.

Tal combustível, esperam os pesquisadores e algumas autoridades americanas ( http://legis.state.sd.us/sessions/2001/bills/HCR1013p.htm ), deve substituir nos próximos 10 anos, as desde 1970 condenadas gasolinas chumbadas, característica diferenciadora principal das de aviação.

Temos tudo para desenvolver esta pesquisa. Mentes, experiência e material não faltam, mas para que isso aconteça deve ser desencadeada uma ampla pesquisa por parte dos interessados sob a bandeira de entidades representativas de classes tais como Abul, Abraex, Abrafaul e quem mais se interessar.

O apoio do fabricante do motor através de seu representante no Brasil, das fábricas, escolas de vôo, das próprias grandes distribuidoras (BR, Shell, Air BP) que por ventura se interessarem e a legitimação acadêmica conseguida com a participação de Universidades, principalmente aquelas voltadas a Ciências Aeronáuticas, ou as que já desenvolvem pesquisa neste campo, são fundamentais para o sucesso.

Fora este caminho qualquer discussão ou relato sobre as maravilhas do uso de gasolina automotiva com álcool na nossa ou em qualquer aviação não merece a menor credibilidade.

 

  

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