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CMT
Paulo Lapenda
Piloto do Clube CEU
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Embora
venha utilizando a 100 LL em um Rotax 914 T- 115 hp, sem problemas há
cerca de sete anos, seja por não valer a pena em custo (no Rio a
diferença de preço entre a Podium vendida no posto e a gasolina
fornecida o Aeroporto é de apenas R$0,50), facilidade de aquisição e
conforto, forma de pagamento ou procedimento operacional, não utilizo
nem penso em nele utilizar gasolinas automotivas com adição de álcool.
Apesar disto sou um incentivador de que seja feito um estudo científico
com bases acadêmicas nas conseqüências para esses motores,
principalmente os da família Rotax, da utilização contínua ou alternada
de gasolinas automotivas contendo etanol e que vem sendo utilizadas
Brasil afora como alternativa a de aviação, inclusive em aeronaves
homologadas.
Quem sabe se com pequenas adaptações, substituição de materiais e
observando-se certas condições de procedimentos de manutenção a tão bem
falada PODIUM ou mesmo a Premium ou a Comum funcione como querem alguns?
Para as nossas condições médias atmosféricas e de vôo, além das
características de construção das nossas aeronaves, pode até dar certo,
preenchendo a lacuna deixada pela inviabilidade comercial da gasolina
automotiva de alta octanagem sem álcool , recentemente testada por nós e
que se revelou um sucesso na alimentação dos nossos motores mas
infelizmente, um péssimo negocio para as Distribuidoras - sua logística
de distribuição é simplesmente impossível de ser efetuada a não ser
triplicando o custo final -.
Quem sabe estas gasolinas com álcool, serão mais apetitosas em termos
logístico comerciais para as distribuidoras que a inviável sem álcool ?
Talvez isto as deixe mais dispostas para investir em pesquisas.
E porque não outros combustíveis? Por isso nossa aviação é experimental,
para contribuir para o futuro com novas técnicas e emprego de novas
tecnologias.
Quem sabe esta pesquisa não encoraje o andamento paralelo de outra ainda
mais importante - desenvolver no Brasil um combustível limpo, bio
degradável e que substitua a 100LL – a exemplo do Aviation Grade Ethanol
(AGE 85) pesquisado nos USA (
http://www.engineering.sdstate.edu/~ethanol/ ), utilizável em
qualquer motor a pistão e que abrange a totalidade da aviação,
homologada e experimental (inclui ultraleves). Mistura de 85% etanol com
biodiesel e hidrocarbonetos leves. O álcool é extraído do milho, mas
álcool é álcool, não importa como é produzido.
Tal combustível, esperam os pesquisadores e algumas autoridades
americanas (
http://legis.state.sd.us/sessions/2001/bills/HCR1013p.htm ), deve
substituir nos próximos 10 anos, as desde 1970 condenadas gasolinas
chumbadas, característica diferenciadora principal das de aviação.
Temos tudo para desenvolver esta pesquisa. Mentes, experiência e
material não faltam, mas para que isso aconteça deve ser desencadeada
uma ampla pesquisa por parte dos interessados sob a bandeira de
entidades representativas de classes tais como Abul, Abraex, Abrafaul e
quem mais se interessar.
O apoio do fabricante do motor através de seu representante no Brasil,
das fábricas, escolas de vôo, das próprias grandes distribuidoras (BR,
Shell, Air BP) que por ventura se interessarem e a legitimação acadêmica
conseguida com a participação de Universidades, principalmente aquelas
voltadas a Ciências Aeronáuticas, ou as que já desenvolvem pesquisa
neste campo, são fundamentais para o sucesso.
Fora este caminho qualquer discussão ou relato sobre as maravilhas do
uso de gasolina automotiva com álcool na nossa ou em qualquer aviação
não merece a menor credibilidade.
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