Em matéria de segurança, quem ganha o embate: o o monomotor ou o bimotor?

Uma das grandes discussões do voo esportivo diz respeito à comparação entre a segurança de um monomotor em comparação a um bimotor. Afinal de contas, qual é o mais seguro de se voar?
As aeronaves bimotoras são mais caras, complexas, e complicadas de se operar e manter do que as monomotoras. Contudo, os bimotores oferecem maior flexibilidade e tranquilidade para viagens noturnas ou para sobrevoos em regiões distantes, ou montanhosas, pois, caso um dos motores falhe, o outro pode sustentar o vôo até uma parada de emergência. A principal razão para se colocar dois motores em uma aeronave é conseguir maior potência, já que o limite prático de potência para motores horizontais opostos varia em torno de 350 HP. Para se obter mais potência, é preciso dois motores ou então optar por motores radiais ou turbo-hélices.
Ainda assim, é um erro acreditar que o avião bimotor será sempre mais seguro. Isso porque o arrasto aerodinâmico provocado pelo motor e hélice inoperantes poderá desestabilizar perigosamente a aeronave. Por isso, o piloto precisa estar bem treinado para fazer os ajustes necessários para reverter a assimetria gerada. Nas décadas de 1960 e 1970, época áurea dos bimotores leves a pistão, verificou-que o índice de acidentes fatais com bimotores era consideravelmente maior do que o índice de acidentes fatais com monomotores nos Estados Unidos.
Na opinião do veterano Comandante Barbará, neste caso, menos é mais. “Com o bimotor, é estatisticamente mais fácil haver acidentes graves”, opina. Panes motoras em monomotores são raríssimas, e, se o piloto consegue chegar ao chão com o avião planando em baixa velocidade, a chance de sobrevivência é enorme, explica o comandante. Eu mesmo já tive duas paradas de motor em monomotores e, graças a Deus (Toc toc...) saí sem um arranhão. Em uma delas o avião foi ’perda total’. Em geral, quando há um problema é um erro humano, falta de gasolina ou um vento estranho”.
O grande problema nos bimotores é a assimetria de potência, quando há pane em um dos motores. . “No bimotor, se um deles para, o avião pende para o lado do motor que está parado e fica muito difícil para o piloto controlar a aeronave”. Em um avião comercial grande é diferente porque são motores a jato, muito potentes e o leme é automaticamente compensado. Nos bimotores pequenos, essa assimetria deve ser anulada pela aplicação de leme e do compensador de leme, o que causará maior arrasto. Isso limita as manobras do avião e sua velocidade mínima de controle. Na verdade, muitos acidentes acontencem porque o piloto tenta manter a aeronave voando. O equilíbrio entre velocidade, manutenção de altitude e capacidade de manobra com um dos motores parados a baixa altura, é algo extremamente difícil até para os pilotos mais experientes.
Por fim, pilotos de bimotores devem estar conscientes da complexidade da sua aeronave, da maior suscetibilidade a panes e da drástica perda de desempenho com um motor só. Também, a perda de controle de um bimotor com um motor em pane, e o outro a pleno, resulta na imediata entrada em parafuso e em uma queda de bico, quase sempre fatal. Nessa situação, nem sempre as habilidades pessoais do piloto serão suficientes para evitar um acidente fatal.
A voz do mestre:
Ih, parou! O que fazer se um dos motores do seu bimotor der pane no ar?
Identifica – Embandeira – Corta
Se um dos motores parar durante um voo, a primeira providencia do piloto deve ser cortar o motor que entrou em pane e embandeirar a hélice imediatamente. “Identificar esse motor com problema é o primeiro grande desafio de quem está controlando a aeronave. O nervosismo não pode fazer com que o piloto se confunda”, alerta Barbará. Se a hélice não for embandeirada, o avião vai começar a perder altitude: “Se ela ficar rodando, vai causar resistência”, termina.









