Um avião capaz de pousar na água e navegar no mar ou em rios. O primeiro anfíbio avançado com flutuadores fabricado no Brasil trata-se do mais novo modelo do FK Super, produzido pela ABS Indústria de Aeronaves, que está em fase final de testes para começar a ser comercializado. Uma boa notícia para os pilotos aerodesportivos, já que o Brasil, e principalmente o Rio de Janeiro, são solo fértil – ou melhor – extensões de praias e rios mais do que adequadas para este tipo de avião, como aposta o diretor da fábrica e amante da aviação Durval Farias.
“O Brasil é o lugar do avião anfíbio. Eu mesmo tenho necessidade de pousar na porta da minha casa no Rio de Janeiro. O modelo FK Super já é pioneiro há 20 anos, mas acredito que agora estamos inovando de vez a aviação desportiva com o anfíbio”, acredita.
A equipe acaba de retornar da primeira exposição da aeronave para o público na Exponáutica, realizada entre os dias 23 e 26 de junho, em Biguaçu, Santa Catarina.
“O avião anfíbio é uma grande tendência no Brasil e oferece mais segurança aos pilotos, que podem fazer pousos e também taxiar na água. Na feira, todos queriam conhecer a aeronave. Fomos a atração principal”, diz Durval, que realizou testes com a aeronave no dia 18, no Clube CEU.
Um modelo que já nasceu inovando
O pioneirismo da ABS é marca de sua história de mais de 20 anos no mercado brasileiro. O FK Super foi introduzido no Brasil no ano 2000, inspirado no modelo alemão FK, que possui mais de 800 aviões fabricados no mundo. Mas foi somente a partir de 2003, que o modelo tradicional da aeronave foi nacionalizado já com diversas adaptações.
“O processo de fabricação das asas é diferente de todos os outros de qualquer lugar do mundo. A asa é fabricada inteiriça e depois de seccionada é que são separadas as superfícies de comando do Flap e Aileron. Para dar mais leveza, são utilizados materiais como fibras de vidro, carbono e resina epox com o processo feito a vácuo com composite”, explica Sérgio Ribeiro Filho, responsável técnico da ABS.
O FK Super pesa 360 quilos. Por ser um modelo aerodesportivo, pode ter no máximo 600 quilos no momento da decolagem, somando os pesos da aeronave com meio tanque de combustível e transportando duas pessoas: o piloto e o acompanhante.
Aviação desportiva – Para dar um perfil mais desportivo à aeronave, a ABS corrigiu o centro de carga, diminuiu o tamanho das asas e produziu o Flap e o Trim automáticos, aumentando o espaço dentro da cabine. No anfíbio, até o leme é elétrico.
Outra novidade foi a adição de um porta-luvas similar aos que existem em automóveis, oferecendo mais conforto e segurança ao piloto, que não precisa voar com a carta de voo sempre à mão.
A segurança é um dos fatores mais importantes desta aeronave, que dispõe das chamadas células de sobrevivência – estruturas que ligam todos os módulos do avião e que reduzem os impactos em um acidente.
“Há também o paraqueda balístico, que sustenta todo o peso do avião até a chegada ao solo. Por ser inspirado em um modelo alemão, este é um item obrigatório”, explica Sérgio.
O FK Super possui ainda dispositivos para facilitar a amarração quando está estacionado na pista, já que para pilonar, basta um vento de 90 km/h de frente para o avião.
Atualmente, a ABS tem capacidade para fabricar mensalmente três aviões FK Super ou cinco kits, o que equivale a todas as estruturas da aeronave sem a montagem, instrumentos e motor. A empresa também apoia na regularização de documentos e realiza todos os testes antes da entrega.
Tendências do aviador brasileiro
Os aviões fabricados pela ABS são personalizados desde o seu interior até à pintura. Mais uma forma de o consumidor brasileiro mostrar a sua criatividade.
“Existe a tendência do brasileiro de querer aviões mais sofisticados, com instrumentos que podem ser analógicos ou digitais com telas em Led, por exemplo, o que geralmente deixa o avião mais pesado. As próprias empresas estrangeiras tiveram que se adaptar ao gosto dos nossos pilotos, que começaram a exigir melhores acabamentos”, aponta Durval.
Só para se ter uma ideia, o empresário já se adiantou às tendências e irá produzir todos os anfíbios com um material mais resistente e à prova d’água, o Neoprene. O modelo terrestre pode ser produzido até com bancos forrados em couro. Aí, a aeronave fica ao gosto do freguês.
Assista ao lado ao vídeo que inspirou a fabricação do avião no Brasil.









